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A mostrar mensagens de julho, 2020

Afinal vale a pena...

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Autor (no Sapoblogs): Mäyjo Ano de escolaridade:  12.º.   Este é o meu primeiro post por aqui. E se calhar não começo bem, porque pode parecer que "me quero gabar"... Mas não resisto a partilhar o que me acabou de acontecer. Vou verificar a caixa de entrada de um e-mail que tenho, apenas para os alunos entregarem trabalhos, e eis que encontro uma mensagem de um aluno de há vários anos. Espanto! Ainda se lembrava de mim. Foi meu aluno durante o 3º ciclo e acabou agora o 12ºAno: queria agradecer-me por na época “lhe ter dado na cabeça” (bem não o disse assim, mas eu sei que era o que achavam – só lhes picava o miolo ). Agora, estes anos depois, escreve: “Stora eu confesso, fora de brincadeiras, tenho saudades suas e das suas aulas, para não falar das críticas que fazia, mas eram só para o meu bem”. Refere que o fiz crescer e que colocou em prática tudo o que lhe ensinei. Diz “Não consigo encontrar as palavras para descrever tudo o que fez”. É bom saber que fomos importantes...

A única amiga

Ano de escolaridade : 4.º.   [Creio que não vou conseguir contar este episódio de forma muito exata. Mas da essência recordo-me, por isso vou avançar... Os nomes são inventados.]   Perto do fim do ano letivo, uma Mariana desesperada, quase em lágrimas, aparece na sala num intervalo grande, acompanhada da colega Luísa. Apresenta-me o seu problema:   - Professora, todas as meninas estão chateadas comigo e já não são minhas amigas porque dizem que eu chamei nomes [não me lembro o quê] à Inês, por ela ser preta, mas eu não chamei! Só a Luísa é que acredita em mim - ela é a única amiga que eu tenho agora. E a Carla  [uma menina robusta com tendência para resolver os problemas à pancada, de pele escura tal como a Inês * ] diz que me vai bater por eu ter dito aquilo , mas eu não disse!   Pedi que fossem chamar as visadas. Vieram. Coloquei cadeiras para ficarmos  sentadas em roda, as cinco: Mariana, Luísa, Inês, Carla e eu. Expliquei o que me tinha sido relatado e dei a palavra à Inês e ta...

O dia em que o cão comeu o trabalho

Autor (no Sapoblogs): O acumulador de nadas Ano de escolaridade : 8.º.   Uma manhã, logo às 8.30h, entra o "Manel" na sala: — Professora, o cão comeu o meu trabalho!   O Manel quis refazer uma construção geométrica em casa, gostava das coisas perfeitinhas - era esse o trabalho para Educação Visual. O 8º ano é sempre o ano que me dá mais trabalho a gerir. É uma idade de quando-é-que-eles-passam-esta-fase-por-amor-de-Deus, e deparo-me com as coisas mais incríveis.   — Manel, se não fizeste, não há problema, mas não inventes... — É verdade, professora! Posso trazer outro? O cão comeu mesmo este! —Não, nem quero falar mais nisso. Vai-te sentar e vamos começar a aula.   Na semana seguinte, o Manel traz um recado da mãe. Onde era explicado que o Manel estava a comer cereais com o trabalho em cima da mesa, antes de vir para a escola. Não o tinha posto na mochila para não se amachucar.   Aqui, o meu coração começou a apertar-se...   O cão, um Labrador enorme, pôs a...

As crianças às vezes surpreendem-nos

Ano de escolaridade : 3.º.   Na altura eu era professora titular de turma no 1.º ciclo do Ensino Básico. Trabalhava numa escola pequena, com apenas cinco turmas. Era professora da turma desde que estavam no 2.º ano, que tinha sido o primeiro ano que tinha trabalhado naquela escola. Sem querer entrar em pormenores sobre a forma como organizava o meu trabalho com a turma, terei de dizer algumas coisas, para contextualizar o episódio que quero contar - o tal que justifica o título deste post. Havia na sala, desde o início do 2.º ano, um Diário de Turma (DT) - uma folha A3 dividida em colunas, com os títulos "Gostei", "Não gostei", "Proponho" (estes títulos podiam ter e tiveram alterações, e chegámos a ter quatro colunas, em dada altura). Neste DT, os alunos (e eu também) escreviam o que achassem que deviam escrever, sabendo que tudo o que escrevessem seria lido e devidamente discutido na reunião que tínhamos semanalmente (onde fazíamos outras coisas para além...